COLUNA DE TEXTOS CLAUDIA
Quando somos esquecidos
Claudia Carmen Pimenta - Psicóloga
claudiacarmem1@gmail.com

Geralmente, na sociedade em que vivemos, somos estimulados a pensar que devemos estar sempre em relação e que devemos ter sempre importância. Importância no que diz respeito a preferências, posições sociais, afetos, ocupações e nunca por aquilo que somos internamente.
Neste movimento vamos nos identificando com aquilo que os outros desejam que sejamos e vamos nos distanciando de nosso núcleo interno que pode ser chamado de Eu superior e de tantos outros nomes. E nisto vamos ora sofrendo, ora decepcionando, ora estressando pois nunca temos a convicção de aquilo que se manifesta em nossas atitudes possa ser algo nosso ou que possa nos representar. E assim vamos criando falsas realidades e confusões a nível mental e etérico, abrindo portas para situações adversas que nos tiram de nós o contato com o nosso ser interno.
Quanto mais vamos nos distanciando de nosso ser interno, vão surgindo vários problemas que tendem a nos envolver e nos distrair da nossa meta principal neste plano.
Bem, o esquecimento de nós por parte dos outros pode e tende a ser algo de muito benéfico e positivo. A medida em que não somos esperados nem procurados, vamos ficando livres para sermos aquilo que temos de ser, pois não há cobranças, não há expectativas, não há rótulos e nem modelos a serem seguidos e impostos.
No momento em que somos esquecidos, pode ser algo de muita alegria, pois é algo libertador e ao mesmo tempo de encontro com aquilo que há de mais importante, que é o encontro com nós mesmos e a possibilidade de um encontro maior.
Outro ponto é o esquecimento dos outros, a medida em que vamos caminhando para não nos lembrarmos dos vínculos, apegos, regras, afetos, desafetos e tantas outras formas de nos lembrarmos do mundo das aparências, podemos libertar tudo aquilo que tem de ser internamente. Portanto um grande serviço que podemos prestar ao próximo é libertar-los da dependência de nós mesmos e fazermos uma entrega ao alto, para que todos possam encontrar o seu ponto neste plano.
Isto tudo é uma grande manifestação da alegria e do amor naquilo que possa representar o caminho de cada um.

O reino animal pede socorro
Claudia Carmen Pimenta - Psicóloga
Nós humanos temos há vários séculos discutido a respeito da ética. Inicialmente, a ética estava associada a valores considerados elevados e era aplicada a formas de conduta, entre outras regulações das relações. Hoje, a ética tornou-se uma disciplina das academias, já com outra lógica que nem sempre vem acompanhada da moral. Sendo assim, criamos regras para conviver em sociedade de acordo com as nossas necessidades, aonde sempre vem existindo uma lei, uma portaria, uma liminar que sobrepõem outra tornando a ética algo subjetivo e com fins pessoais.
Diante deste cenário, temos visto muitas atividades surgindo como forma de enriquecimento com uma lógica supostamente ética, pois sempre se criam regulamentações e justificativas, até do ponto de vista religioso e como a religião é uma atividade humana, ela também acompanhou esta transformação beneficiando uma parcela de seres.
E onde estão os animais nisso tudo? Bem, podemos começar a falar do simples ato de sobrevivência que é a alimentação, e que apesar de termos evoluído com as técnicas agrícolas, com a aquisição de preparação de alimentos diversos, continuamos a matar animais para nos alimentar com a justificativa de que os mesmos servem para este fim e de que não sobreviveríamos sem nos alimentar deles.
Em contrapartida utilizamos estes animais para testar produtos diversos como cosméticos, medicamentos entre tantos outros com a justificativa de que os fins justificam os meios e desta forma impomos tantos sacrifícios e sofrimentos a seres que não podem responder se aceitam ou não tal condição.
Ao mesmo tempo os usamos como lazer ou entretenimento, os submetendo a grandes privações e maus tratos. Há ainda a indústria da moda que para atender aos mimos de uma parcela mínima da humanidade mata cruelmente animais, que o único pecado que cometeram foi o de possuir uma pelagem suficiente para se proteger dos fatores climáticos, sendo portanto, sacrificados barbaramente para atender a esses caprichos.
Lembrando que esta sociedade que se utiliza destes modelos de moda já não tem espaço em seus armários devido à infinita quantidade de peças de vestuário que possuem. E temos ainda tantas outras condições que poderíamos estar citando, mas estas são apenas um pequeno exemplo para verificarmos a que pé anda a ética no meio humano.
Fico pensando e o que será deste reino que é o animal? O que será dos seres humanos?
Esta é uma reflexão que fica para nós e para as futuras gerações, precisamos nos salvar salvando o reino animal, e podemos fazer isso com simples gestos como começando a salvá-los ao realizarmos as nossas refeições nos abdicando de comê-los. Podemos ainda, irmos ampliando nossas consciências para outras atitudes até conseguirmos entender que não estamos acima de nenhum ser vivo por sermos racionais e de que tudo o que está aqui tem o seu porque e não cabe a nós decidirmos por eles os seus destinos.
Nisso implica-se uma questão de ética, cabe a nós refletirmos mais sobre estas questões.

Com a chegada do natal
Claudia Carmen Pimenta - Psicóloga
Mais um ano chega ao final e como não poderia deixar de ser, a rotina se repete com suas propagandas e músicas já bem conhecidas, com suas ruas e lojas cheias de pessoas apressadas em busca de algo que nem mesmo tem interesse em saber, mas buscam ansiosamente na esperança de maior felicidade, de maior realização, de maior sucesso.
E mais uma vez se faz mil promessas para um ano que se iniciará, promessas essas que não deixam de ser reprises das feitas em anos anteriores e das quais se tem muitas desculpas para não realizá-las.
Enfim é natal, a festa cristã, será que é mesmo? Aonde foi parar Cristo nisto tudo? Será que alguém se lembra da idéia dele que parece que foi o Amor. Então é tempo de pensar no amor e tentarmos salvar o Cristo dentro de nós. Que possamos fazê-lo para quem sabe desta forma nos aproximar um pouco mais do sentido do natal e automaticamente do próprio Cristo.

Por uma visão ampliada da crise
Claudia Carmen Pimenta - Psicóloga
Nos tempos atuais as crises fazem parte do nosso cotidiano, sejam através de fatores externos como é o caso da crise financeira que ocorre a nível planetário, sejam através de fatores internos como é o caso da instalação de doenças e conflitos pessoais.
As crises na maioria das vezes podem desencadear processos internos. Isto pode ser verificado em situações aonde surgem à necessidade de fazermos justamente aquilo que nos cabe na vida, estas crises interferem no sentido de dissolver os projetos pessoais e egoístas que possam estar nos impedindo de dar os passos realmente importantes para a nossa vida neste plano. Mas se mesmo assim insistimos em continuarmos tais projetos, pouco se pode esperar de nossa participação neste plano e conseqüentemente vivemos uma crise após outra.
Diante das crises, silenciar é uma atitude muito indicada. Pode-se entender isso como o silêncio de opiniões, de pensamentos, de julgamentos, de análise. Quando estamos em verdadeiro silêncio, podemos ver com menos interferências o rumo que devemos dar a nossa vida neste plano. Automaticamente vão ocorrendo mudanças e aumentando a nossa compreensão da vida. Estar em silêncio autêntico acarreta expansões da consciência que transforma o nosso modo de viver e de encarar as situações nos quais nos encontramos.
Nesta batalha que é a crise, ocorre uma experiência maior que tenta dar outra direção para a vida, porém, quem está a serviço do plano maior descobrirá que a batalha real a travar é com as forças internas inferiores que ainda abrigam em si mesmo. Então nessa luta, um principio é deixar que a energia interna seja o seu guia, em vez de querer agir por conta própria. E, muitas vezes, é num insucesso aparente que se vence a batalha.
